Ave africana guia de mel ajuda caçadores em parceria rara e doce

Por Alister Doyle

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OSLO (Reuters) – Uma pequena ave africana que guia as pessoas para ninhos de abelhas esperando compartilhar mel e cera responde aos apelos especiais dos caçadores em um raro exemplo de parceria entre animais selvagens e humanos, disseram cientistas na quinta-feira.

Yao honey-hunter Orlando Yassene detém uma fêmea selvagem maior guia de mel, temporariamente capturada para pesquisa, na Reserva Nacional do Niassa, Moçambique, nesta foto de divulgação divulgada a 21 de Julho de 2016. Claire Spottiswoode/Science/ Handout via REUTERS

Cooperação entre a ave guia-mel maior e os caçadores foi escrita pela primeira vez por um missionário português em 1588, mas foi largamente descartada como puro boato. Nos últimos anos, porém, os pesquisadores têm encontrado cada vez mais evidências da ligação.

Em Moçambique, os caçadores têm muito mais sucesso em encontrar mel quando usam um chamado tradicional – um trill seguido por um grunhido que soa como “brr-hm” – para atrair os guias de mel, escreveram os especialistas na revista Science.

Após atraídos, os pássaros levam os caçadores às árvores com abelhas, confiando nos humanos para subjugar os insectos com fogo e fumo, cortar o tronco, abrir o mel e depois deixar para trás alguma cera de abelha que é uma iguaria para os pássaros.

Nos anos 80, os cientistas documentaram que os guias de mel procuram ajuda humana, fazendo chamadas distintas e atirando de árvore em árvore para atrair a atenção.

“Descobrimos que é uma comunicação de dois sentidos”, disse à Reuters a escritora principal Claire Spottiswoode, bióloga evolutiva que trabalha na Universidade de Cambridge e na Universidade da Cidade do Cabo. “Os humanos também se comunicam com os guias de mel”

O ‘brr-hm’ chama “sinais aos guias de mel que eles (caçadores) estão ansiosos para seguir”. Os honeyguides usam esta informação para escolher parceiros”, disse ela.

A chamada dobra as chances de serem guiados por um honeyguide para 66% de 33 e aumenta a probabilidade de encontrar um ninho de abelhas para 54% de 17, em comparação com o uso de outros sons humanos ou animais para atrair aves.

A maior cooperação humana com animais é com animais domesticados ou treinados, como cães ou falcões. A única outra parceria conhecida com criaturas selvagens é quando os golfinhos por vezes trabalham com pescadores, segundo o estudo.

Spottiswoode disse que 20 caçadores Yao entrevistados na Reserva Nacional do Niassa em Moçambique não sabiam a origem da chamada tradicional “brr-hm”. Em contraste no Quénia, os caçadores assobiam para atrair as aves.

Ainda, os guias de mel não são totalmente doces.

Como os cucos, põem ovos nos ninhos de outras aves e os guias de mel bebé matam os seus irmãos adoptivos esfaqueando-os com ganchos afiados nos bicos. Spottiswoode chamou-os de “o Jekyll e Hyde do mundo das aves”

Reporting by Alister Doyle; editing by Mark Heinrich

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